Artigo - A degradação dos contos de fada e o advento da violência no Brasil

Tive a ideia de escrever esse texto ao ouvir a versão moderna da historinha da chapeuzinho vermelho, não é de hoje que aponto a absurda degradação dos contos para crianças; se outrora educaram o imaginário com maestria admirável, hoje estão reduzidos a historinhas politicamente corretas, e isso não foi um elogio.

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Ilustração
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Por: André Penaforte - Professor

Tive a ideia de escrever esse texto ao ouvir a versão moderna da historinha da chapeuzinho vermelho, não é de hoje que aponto a absurda degradação dos contos para crianças; se outrora educaram o imaginário com maestria admirável, hoje estão reduzidos a historinhas politicamente corretas, e isso não foi um elogio.

Os contos deveriam ter o poder de educar o imaginário, fornecendo ao jovem as primeiras noções de realidade que formariam o sustentáculo da vida adulta, quando removeram dos contos os aspectos da vida adulta, acabou-se transmitindo a criança a ideia de uma infância eterna, uma geração condenada a síndrome do peter pan, a criança de 30 ou mesmo 40 anos sustentada pelos pais.

No caso específico do conto da chapeuzinho vermelho, lembro perfeitamente da história original, na verdade a possuo aqui, no ‘’fabuloso livro vermelho’’, um dos livros de contos que compõem a coleção: ‘’os fabulosos livros coloridos’’, com os quais educarei meus filhos. Permita-me uma citação da história original:

‘’- Patife! Achaste que poderias devorar minha netinha! Pois bem, amanhã darei a ela um abafo feito de tuas peles, e tu mesmo serás devorado, pois tua carcaça será jogada aos cães.’’

Perceba que não há meias palavras, o texto, escrito em portugues impecável, não dá espaço para dúbias interpretações, nem cede lugar ao politicamente correto, mostra toda a inconformação de um familiar com ''alguém'' que tentou fazer mal a um dos seus, assim como mostra o uso da violência como ferramenta de dissuasão, deixando claro a inequívoca realidade, para que um homem mau, um criminoso, seja parado, é preciso que um homem bom exerça sobre ele uma ameaça de violência superior, muitas vezes essa simples ameaça é suficiente para fazer cessar grave ameaça ou violenta agressão.

Quando olhamos para 50 anos atrás, podemos perceber que a criminalidade apresenta patamares muito inferiores aos atuais, isso porque o politicamente correto não havia infestado a mente das pessoas, as crianças tinham acesso às histórias que educavam o seu imaginário, isso criava a distinção precisa entre violência e criminalidade, o jovem, e posteriormente o adulto que o mesmo se tornaria, compreendia que a criminalidade é o uso da violência para fazer mal a um inocente, enquanto a violência é apenas uma ferramenta que pode ser usado tanto para crime como para fazê-lo cessar, mas esta noção se perdeu.

Sem essa noção perfeitamente estabelecida e bem delineada, o jovem atual acha um absurdo o uso de violência contra um criminoso, exigindo que policiais sejam processados e presos por usar a violência contra um homem mal com o objetivo de fazer cessar violenta agressão ou grave ameaça. Sem a noção entre violência e criminalidade, o jovem atual enxerga ambos da mesma forma e acaba por pedir que os policiais trabalham desarmados, pois acredita realmente em clichês como ‘’violencia gera violencia’’, dessa forma, acreditam que desarmar os policiais e fazer cessar o potencial para a violência do homem de bem, fará com que a criminalidade reduza também, por que um criminoso armado cessaria sua ação frente a um policial desarmado? No mundo real, na medida em que tolhem o potencial de atuação dos policiais, mais ousados se tornam os criminosos, cientes da impunidade.

O politicamente correto ensinado na escola contaminou a mente do "homem de bem", que agora cria seu filho numa bolha de artificialidade, onde temas inerentes a vida, que compõem a própria existência, como violência, armas, morte, devem ser evitados, e como tal, foram removidos dos contos e das brincadeiras infantis, brincar com uma arma de brinquedo se tornou um absurdo e deve ser proibido por força de lei, onde de fato, leis já proíbem a venda de qualquer brinquedo que imita uma arma de fogo, se você está pensando "mas as nerf são liberadas e simulam armas de fogo," então você realmente não sabe o que é uma arma.

Nessa cultura criamos ovelhas, prontas para servirem de presa aos lobos, onde a ação do herói já não existe, pois as próprias ovelhas reprovam a ação dos seus defensores, como nos ensina o Ortega e Gasset, ‘’todo problema político tem raízes sociais’’, a nossa sociedade está doente, as altas taxas de criminalidade atuais são apenas o reflexo de mentes mal formadas, para não dizer danificadas.