O carnaval da carestia e a fantasia de gasolina barata do governo Lula

Após os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, ultimamente, o que mais temos ouvido falar é que está caro demais abastecer o veículo...

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Após os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, ultimamente, o que mais temos ouvido falar é que está caro demais abastecer o veículo. Isso é verdade, mas o quão cara está a gasolina? Para ter uma noção, e a fim de simplificar o cálculo, imagine que o combustível estivesse sendo vendido hoje a R$ 5,50 o litro; assim, um tanque de 40 L custaria R$ 220,00, ou seja, 20% do salário mínimo. Pesado, não? Mas na época do Brasil Maravilha, com o litro a R$ 2,50, esse mesmo tanque custaria apenas R$ 100,00. E aí, ficou com saudades? O problema é que, em fevereiro de 2006, com o salário mínimo a míseros 300 reais, encher o tanque representava 33% da renda do trabalhador, ou 1/3 do seu salário. "Cuma?". 
 
Para entendermos melhor, vejamos daqui pra frente quantos litros de gasolina dava para comprar com o valor do salário mínimo nos últimos 19 anos.
 
Em 2003, no início do governo petista, a quantidade de gasolina que dava para comprar com o salário mínimo de R$ 200,00 não chegava a 93 L, algo ridículo e impensável para dias de hoje; mas isso porque o litro passou a custar R$ 2,16 graças ao chamado 'efeito Lula', que provocou uma repentina alta nos preços, pois às vésperas das eleições de 2002, o mesmo salário de 200 reais comprava 114 L do combustível, o que não deixa de ser irrisório. Assim, após dois anos do PT no governo, com o litro da gasolina a R$ 2,27, o salário mínimo de 260 reais voltava a comprar os mesmos 114 litros da gestão anterior — apesar de ter havido uma melhora nesse meio-tempo. 
 
Então vieram as intervenções na Petrobrás, e em 2006, ao final do primeiro governo petista, o salário de 350 reais já comprava cerca de 138 L de gasolina, e em 2010, ao final do segundo mandato, graças à política de preços que segurou os aumentos e manteve o litro do combustível aproximadamente entre R$ 2,50 e R$ 2,60, o Mínimo de 510 reais agora podia comprar 196 L do combustível. Wow!!! Isso era mais do que o dobro, o que poderia dar errado?
 
Veio então o governo da presidenta, que mantendo a mesma política intervencionista e segurando os aumentos como podia, fez a gasolina chegar às eleições de 2014 abaixo dos R$ 3,00 e concluiu seu primeiro reinado vendo seus súditos comprarem incríveis 239 L de gasolina com o salário mínimo de 724 reais. O país da propaganda do PT parecia ser real, mas tudo tem seu preço. Com o fim do represamento dos preços e a recessão que adveio com a façanha da reeleição da Dilmãe, veio também a tentativa de consertar as coisas com “Ideias Novas”, e já no final de 2015, o Mínimo de 788 reais agora só dava para 217 L do precioso, uma redução de 22 litros em apenas um ano do “Governo Novo” da Mulher Sapiens. Que coisa!
 
Após o estelionato eleitoral e a queda da inocenta, vejamos como fecharam os anos seguintes, isto é, como ficou o poder de compra do salário mínimo em relação à gasolina:
 
2016: 880 / 3,75 = 234 L (Primeiro, a gente tira a Dilma)
2017: 937 / 4,09 = 229 L (Tem que manter isso aí, viu?)
2018: 954 / 4,34 = 219 L (Greve dos caminhoneiros)
2019: 998 / 4,55 = 219 L (Amazônia em chamas)
2020: 1045 / 4,49 = 227 L (Fique em casa!)
 
Hoje, com o preço do litro em R$ 5,25, em média, o Mínimo de 1100 reais está comprando 209 L de gasolina, o que representa 17 litros a menos em relação a 2020. Mas será que é normal essa redução após as eleições? Trataremos disso depois. Por ora, vimos que, em relação à gasolina, o poder de compra do salário mínimo está hoje inferior ao pior momento da gerentona, mas superior ao melhor momento do homem de nove dedos. E sabe o que mais? A gasolina, que com descontos pode ser comprada abaixo dos 5 reais, não custa os R$ 5,50 que apontei lá no início. Pelo menos, ainda não.
 
Por: Jefferson Nascimento (Blog Caixa Pregos)